Só uma pergunta

18 Apr
Não tecendo este post qualquer tipo de juízo de valor, constituindo portanto uma mera curiosidade da minha parte, cabe-me perguntar:
O que fazem os professores do ensino básico e secundário quando não dão aulas devido às interrupções lectivas (nomeadamente a de duas semanas por causa da Páscoa) ?
 
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6 Responses to “Só uma pergunta”

  1. Beatriz Pereira Tuesday 19 April 2011 at 07:43 #

    Os professores só têm uma semana de férias da Páscoa, a primeira é só reuniões e entrega de notas. Na semana de férias, fazem férias, descansam, adiantam trabalho, tudo o que a palavra “férias” pode significar lol

  2. Raquel Tuesday 19 April 2011 at 11:05 #

    Na primeira semana preparam as notas, fazem reuniões e publicam-nas, que é muito mais dicícil do que parece porque tem de bater tudo certo. Um único erro e é preciso fazer tudo de novo. De lembrar que um professor chega a ter 7 e mais turmas, logo 7 reuniões que duram entre 3 e 5 horas, dependendo das especificidades da turma. Na segunda semana descansam de aturar os vândalos, mal-criados, dos filhos dos outros. Se fôr um director de turma, na segunda semana tem um monte de papelada que ninguém faz ideia, coisas administrativas que não lembram ao diabo e recebe os pais dos alunos na escola. Para se chumbar um aluno é preciso justificar por escrito. Se além disso ainda fôr delegado de disciplina e Director dos directores de turma não tem férias. Aliás, as 8 horas que o resto do pessoal, que muitas vezes trabalha atrás de uma secretária, labuta por dia, não são suficientes para um professor.

    Fui professora, por vocação, porque foi o que sempre quis fazer, entretanto, devido à dificuldade de aceder à profissão, mudei de ramo e sou tradutora. Estou em posição de comparar duas tipologias de trabalho tão diferentes. Na verdade, ainda dou um dia de aulas por semana, (não em Portugal, e sem qualquer cargo extra) e esse dia, de 6 aulas, cansa-me mais que o resto dos 4 juntos, muitas vezes a trabalhar até altas horas em frente a um PC.

    Ficou esclarecida? Posso acrescentar que o mesmo acontece no Natal e no Verão somente têm o mês de Agosto. Entre fechar o balanço do ano anterior e preparar o seguinte, lá se vai o mês de Julho.

    Os professores, médicos e bombeiros estão entre as profissões de maior risco de burn-out profissional. Basta dizer que os paizinhos se fartam de aturar os 2 rebentos durante 15 dias que vão com eles de férias, agora imaginem até 30 dentro de uma sala de aula. E dar-lhes plasticina para as mãos, livros de colorir ou uma playstation para brincar, como fazem os pais, não é o que se faz dentro de uma sala de aula. Além de ter de os manter quietos e atentos é preciso mantê-los motivados durante toda a aula para poderem aprender.

  3. Poetic Girl Tuesday 19 April 2011 at 11:52 #

    Estão de férias! 🙂 bjs

  4. Laetitia Tuesday 19 April 2011 at 12:27 #

    Bom dia Raquel.
    Fiquei esclarecida sim, e embora acredite que 85% dos professores tenham o trabalho que referiu (que repare não é nenhum trabalho extra, faz parte da profissão que escolheram ou pela qual enveredaram. Um juíz também não dá só sentenças, a título de exemplo), parece-me que há muitos que simplesmente aproveitam as interrupções lectivas para terem férias. E digo-lhe isto com alguns, infelizmente, conhecimentos de causa.
    É óbvio que reconheço que as crianças e sobretudo os adolescentes dão trabalho. E muitas vezes o papel do professor vai muito além de ensinar, isso é senso comum. Portanto isso nem está aqui em discussão. Mas há que fazer um reparo: eu comecei o post precisamente por dizer que não estava a tecer qualquer tipo de juízo de valor. Foi mera curiosidade.
    Quanto à pergunta que me fez, o facto de as ter tido não implica que não continue a achar excessivo. Duas semanas de férias de Páscoa é mais do que o razoável, sobretudo quando comparamos com outros países. Na minha opinião uma semana seria o ideal. Até porque nas férias, 90% dos alunos ( e sim, eu também me incluia aí) não faz grande coisa que se qualifique verdadeiramente de aprendizagem.Uma semana bastaria para o tal dolce fare niente.
    E talvez se estivessem na escola, a aprender, se pudessem tornar profissionais mais qualificados no futuro. Assim como todas as gerações que neste momento já estão na faculdade e/ou no mercado de trabalho, que já se sabe é competitivo, sobretudo internacionalmente.
    Para terminar, que fique claro que isto não foi um post de ataque à classe, até porque no geral admiro os professores. Só que me faz confusão a quantidade de férias que alguns fazem à custa das interrupções lectivas. E neste ponto, bem como no dos conhecimentos (em regra) há ainda um fosso muito grande entre professores universitários/assistentes/monitores, e os restantes professores.
    Tenha um bom dia, e obrigada pela atenção.

  5. Raquel Tuesday 19 April 2011 at 14:46 #

    Não encarei como sendo uma ofensa da sua parte. Confesso que se não fosse a ressalva que fez, a entenderia como tal. Quanto às questões que aponta, ninguém encara isso como trabalho extra que não esteja implícito à actividade. A frustração dos professores passa por considerarem o trabalho administrativo que lhes é exigido como superior ao verdadeiro trabalho de ensinar. E tudo por mera burocracia. E a cara blogger está a ser muito condescendente com os professores. Eu nem diria 85%, se quer saber. Incompetentes há, e sempre haverá, em todos as áreas de trabalho, a justiça e o ensino não lhe estáo imunes. Quanto às férias serem longas ou não, é discutível. Para compararmos com outros países teríamos de comparar várias variáveis. Há países onde as férias concentram-se menos mas estão dispersas ao longo do ano. Acabam por ter menos dias de aulas que em Portugal, mas férias mais curtas. Ouros têm menos blocos de férias mas têm aulas somente um período do dia, manhã ou tarde. Outros têm tantas férias como em Portugal mais as férias da neve… Onde vivo têm duas no Natal, duas no ano novo chinês, uma na Páscoa e as de Verão.

  6. Doris da Costa Dias Tuesday 19 April 2011 at 17:51 #

    Gosto imenso de te ler
    Já me ri imenso, Coninua assim a dizer o que te vai na alma
    uma fiel seguidora, Doris
    jinhos

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