Onde é que falhámos para existirem tantos monstrinhos?

18 Jul
No outro dia estava na praia deitada no areal quase a passar pelas brasas, quando se ouve o apito ( potente antecipo-vos já) do nadador-salvador.  Era ver todos os presentes a levantar a cabeça em busca de presenciar um qualquer acontecimento digno de nota, possivelmente. Na parte que me toca, ainda atarantada, pensei que ia assistir a um salvamento ao vivo e a cores, pese embora não tivesse ouvido qualquer tipo de pedido de socorro. Confesso que, dramática como sou, não excluí a hipótese de um tsunami ( até comecei a olhar em volta à procura de algo suficientemente robusto a que me agarrar se a desgraça se desse de repente). Afinal, para alívio de alguns e desgosto de outros – não é todos os dias que se presencia uma desgraça, e há pessoas que vivem num verdadeiro cambalacho procurando testemunhá-la em toda a parte –  não era nada disso. Tratava-se apenas de uns jovens na casa dos 14, 15 anos, que resolveram mergulhar com o mar bravo. Deixando de parte a possibilidade de serem todos daltónicos, custa-me acreditar que desconheçam o significado da bandeira vermelha. Mas até aqui eu compreendo. Toda a gente já se aventurou em coisas estúpidas que sabia terem grandes possibilidades de darem para o torto ( não me imiscuo das irresponsabilidades que fui cometendo nestes anos que levo de vida), e já diz o ditado que o fruto proibido é sempre o mais apetecido.
O que já não entendo tão bem foi o que veio a seguir. O nadador-salvador dirigiu-se a eles, provavelmente para lhes explicar que o que estavam a fazer era mesmo perigoso, e as criaturas em vez de ouvirem, esboçarem um sorrisinho amarelo, e pedirem desculpa de rabinho entre as pernas (era o que eu faria), acharam por bem começar a discutir, quais donos da razão. Não sem antes darem um empurrãozeco ameaçador ao homem. Eu juro que pensei que saia dali porrada. Felizmente tudo se resolveu e acabaram por virar costas sempre aos palavrões. E é aqui que, a meu ver, reside o problema. Estupefacta, dei por mim a concluir que esta juventude é a mesma que agride colegas na escola só porque sim, que os esfaqueia sem mais nem porquê, e que filma tudo aos risos histéricos para depois, num heroísmo invertido, escarrapachar no facebook com o devido acompanhar da frase mágica que trazem tatuada no cérebro: “a nós não nos acontece nada”. Bem sei que, felizmente, não são todos assim. Mas esta monstruosidade que se apoderou de alguns ( maioria), esta perpetuação da crueldade, preocupa-me. Em que parte do caminho é que se perderam os valores? Onde é que falharam? Onde é que falhámos?
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