Desde que me lembro Dezembro sempre despertou em mim um misto de emoções. Contraditórias, há que admitir.Se por um lado é época de ternura, de ver acontecer o abraço impensável, ou o beijo inimaginável, de só apetecer correr para o sofá de chá apetecivelmente quente numa mão e livro bom na outra, de serões de cinema que ao quente é que se está bem, de balanços que nos põem a pensar – e sabe tão bem reflectir no que vamos sendo – por outro é tempo de neve, de roupa a mais, de ver chover mais que a conta, amaldiçoar as poças, de comer todas as guloseimas a que teimamos não resistir para nos arrependermos imediatamente a seguir, de tremer os dentes mal se põe o nariz fora de casa.Hoje é dia um. E até dia 31, se o destino não nos tramar, teremos todos muitas peripécias para contar. Que venham então daí os dias gelados de clima, mas quentes de coração.