Ma douce affaire

30 May
Quando chegamos ao quarto de hotel os ponteiros do relógio já vão tardios, marcando muito para além da hora a que a Cinderela perdeu o sapato. Bêbeda de sono, descalço os sapatos que no início da noite eram divinos mas que, tantas horas depois, sofreram uma metamorfose e se transformaram em diabólicos. Apetece-me entrar e atirar-me para cima da cama como fazia quando era miúda, sonolenta, e a minha única preocupação quando tinha sono era dormir. Qual tirar a maquilhagem qual quê. Fumaças de pensamentos mais ou menos ténues profetizam-me uma meia idade cheia de rugas. Levanto-me a custo e apercebo-me de que tenho sede. Gosto da água fresca, da antítese de sentir a boca gelada e o resto do corpo quente. Peço-lhe que me passe a garrafa e é então que descubro que está à temperatura ambiente. Tinha-lhe pedido que a colocasse no mini frigorífico antes de sairmos. Ele alega um esquecimento com aquele sorriso delicioso a que é impossível resistir. Os olhos cor de esmeralda que venero também sorriem numa harmoniosa concordância. E é então que esqueço tudo. Cedo ao sono e aninho-me nele. Não há melhor sensação no mundo que adormecer naqueles braços.
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One Response to “Ma douce affaire”

  1. Mery Wednesday 30 May 2012 at 15:32 #

    Que lindo!!!! :))

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