Desgraçado do bicho

15 Jun
O meu telemóvel, qual conservador revoltado contra a Troika, resolveu fazer greve. Apeteceu-lhe deixar de funcionar ao toque, coisa que sempre apreciou desde o início da nossa relação. Pensei que sim que lhe conseguia dar a volta. Tentei os mimos, os gritos, no auge da cólera até a violência. Mas ele, numa atitude trocista, remeteu-se a um silêncio desesperante. Obrigou-me assim a uma caça ao tesouro, leia-se a uma procura intensiva pela garantia. Quando já estava quase a bater com a cabeça nas paredes de tão infrutífera procura, fez-se luz. Não tinha, nem podia ter a garantia porque quem me ofereceu o telemóvel foi o meu ex-namorado. A desgraçada da maquineta colocou-me numa posição mais que difícil. Assim de repente acho que a  última pessoa no mundo com quem me apetecia falar era com aquela alma. Depois de muito impasse ligo, não ligo, lá ganhei coragem e liguei. Foi mais fácil do que poderia prever: ele lá se disponibilizou a trazer-me o raio do papel. Amanhã vou levar o telemóvel à loja. Mas fica aqui desde já escrito, para ser mais solene, que a vingança chegará. Logo que junte uns tostões vou traí-lo e trocá-lo por outro. Nunca pensei que a nossa relação tivesse que ser assim mas foi o estupor que escolheu o seu destino.
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