Laetitia Sweeney Rose

Das gentes

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Qualquer pretexto é válido para, num destes dias de calor, me sentar na esplanada d’A Brasileira. Levo um livro, inseparável amigo, mas sei que  provavelmente não lhe pegarei. É que as pessoas são mais interessantes. Ficar a observá-las enquanto beberico um chá gelado é dos meus passatempos preferidos. E, definitivamente, a baixa é o lugar perfeito para se ver tudo e de tudo. Jovens, velhos, magros, altos, gordos, escanzelados, bonitos, feios, nitidamente estrangeiros, indiscutivelmente portugueses. Toda uma panóplia de gentes, de culturas, de gerações. Todo um tecido social que me faz viajar mentalmente, que me faz imaginar vidas e histórias para cada pessoa. E nisto apercebo-me de como é bom viver num país livre. Num país onde a miúda punk leva uma argola no nariz, onde dois homens trocam carinhos, onde cada um vai fazendo o que quer com a sua liberdade individual, e toda a gente à volta vai respeitando. E isto não é possível quantificar em mercados financeiros. É daquelas coisas que não tem preço. Podemos estar em crise sim, mas continuamos a ser dos países mais bonitos da Europa. Em muitos sentidos.
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