Coração vendado

3 Aug
Quando o meu amigo Rock-Saved-My-Life me ligou choroso, qual madalena arrependida, eu pressenti uma catástrofe. Enquanto o ouvia dei-me conta de estar perante um problema de amor. E eu, ingénua, que achava que sofrer por amor era apanágio feminino. Não é, de todo. A verdade é que, há sempre uma altura em que o músculo que nos pulsa do lado esquerdo do peito, um tal de coração, decide ganhar vida própria e tramar-nos. Tem uma certa tendência para o masoquismo, é o que é. E, do alto da sua petulância arrebatadora, acha-se no direito de se manter vendado perante as evidências.
Numa tentativa de encontrar as palavras certas de conforto (as desgraçadas adoram fugir à responsabilidade quando mais precisamos delas), dei por mim a perguntar porque razão teimamos em ficar quando a atitude mais acertada é ir. Eu já lá estive e, também eu, achando ser diferente de todos os casos sofredores da mesma patologia, decidi ficar. E ficar, quando estamos a insistir em alguém que jamais, sequer, se importou realmente com a nossa presença, é sempre o caminho mais tortuoso. Diria que é até um insulto à nossa inteligência. Escudamo-nos em frases feitas, sim, aquelas que nos dizem para seguirmos o nosso coração e bla bla bla, e usamo-las como pedra basilar duma insistência que sabemos errada. Enquanto isso sofremos que nem desalmados. Acordamos a pensar naquilo, vamos dormir a pensar naquilo. Desgastamo-nos, arranjamos mil desculpas, descabelamo-nos, pensamos que o dia a seguir vai ser melhor, temos esperança, o dia chega ao fim, deprimimos. É um ciclo vicioso, uma tortura auto-infligida. Até que nasce um belíssimo dum dia em que nos fartámos. Em que não aguentamos mais chacinar-nos a nós próprios, e soltamos um “basta!”, qual Grito do Ipiranga. Eu gostava que pudéssemos não perder tempo a fazer-nos sofrer. Que passássemos logo ao “basta!”. Mas, quem já sofreu por amor sabe que não adianta. É um processo morosamente inevitável, e só os mais corajosos conseguem saltar etapas. Enquanto a luz não se dá, os amigos estão lá para abrir os olhos, para dar o ombro e deixar que lhes ensopem a roupa em lágrimas. A notícia boa? As catástrofes de amor demoram a curar, mas não são eternas. O tempo é um grande mestre.
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2 Responses to “Coração vendado”

  1. Betty Gaeta Friday 3 August 2012 at 12:51 #

    Oi Laetitia,
    Acho que os homens sofrem mais do que as mulheres por amor! Já emprestei o meu ombro para vários amigos.
    Bom final de semana!
    xoxo

    Gosto disto!

  2. A Bomboca Mais Gostosa Friday 3 August 2012 at 13:49 #

    Certo, mas às vezes custa muito 😦

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