Geração copo na mão

28 Aug
Numa dessas noites de festa dei por mim a observar toda a gente. Tenho esta mania que me persegue, de observar tudo. Enquanto os meus olhos iam captando o que se passava, achei curioso que quase todas as pessoas estivessem de copo na mão. É difícil sair à noite e não beber álcool, nos dias que correm. Como se o álcool fosse o complemento imprescindível para uma noite das boas.
A verdade é que a minha geração, e possivelmente as que vieram logo a seguir à minha, é a geração das noitadas. É a geração de quem bebe até cair na Queima. Ou noutra ocasião qualquer, o que importa é haver pretexto. Não que me orgulhe disso. Pelo contrário, envergonho-me por certas pessoas. 
Nunca percebi muito bem a graça, se é que há alguma, de beber até cair. Lembro-me de ver na televisão os que levaram garrafões de whisky para o sudoeste, e pensar o quão deprimente aquilo era. Lembro-me de ver gente bêbeda quase todas as noites em que saí. Pergunto-me, que raio de relação é esta com o álcool?
Se é certo que numa altura da juventude se perdoam certas coisas, também o é que chega um dia em que temos que ganhar juízo. Em que há responsabilidades, em que ter vinte e poucos já não é o mesmo que ter dezanove. E acho que o problema começa mesmo aí. Há pessoas que não conseguem lidar com a idade. Que, obcecadas em serem eternamente jovens, acham que podem fazer tudo o que faziam aos dezoito anos. Poder até podem, mas torna-se fácil cair no ridículo.
Sou, decididamente, da velha guarda. Não percebo esta necessidade permanente dos excessos da juventude. Excesso de álcool, excesso de drogas, excesso de sentimento de imortalidade. E, no fundo, temo pelo futuro dessas pessoas dos excessos. E de nós, enquanto sociedade.
Definitivamente, esta é a geração copo na mão.

 

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4 Responses to “Geração copo na mão”

  1. S* Tuesday 28 August 2012 at 18:02 #

    Ainda bem que não sofro dessa sede por álcool.

  2. A Bomboca Mais Gostosa Tuesday 28 August 2012 at 20:27 #

    Gosto de beber, mas não gosto de excessos. Há que saber beber e conhecer os seus limites.

  3. Sílvia Tuesday 28 August 2012 at 21:50 #

    Eu concordo inteiramente contigo. Tenho 24 e sinceramente nunca bebi até cair e custa-me entender qual a necessidade de o fazer. Às vezes custa-me sair porque sou das únicas pessoas que não bebe álcool então toda a gente olha pra mim como se fosse uma pessoa anormal. Se eu me divirto sem beber qual é o problema? Não percebo a necessidade de afirmação através do alcool. Mas isto sou eu que devo ser antiquada ou assim.

  4. S. Wednesday 29 August 2012 at 08:43 #

    Eu acho que se tornou um hábito social, é banal essa tendência e já é esperado que as pessoas o façam… Eu concordo com a Sílvia às vezes também me custa sair porque eu simplesmente não bebo… Não sou grande fã de álcool e ainda mais bebidas brancas… Mas para mim o maior problema não é beber álcool é mais não conhecer os limites!

    XOXO,
    S.

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