Já disse que o amo?

23 Oct
Durante muito tempo fui daquelas que achava que o amor não queria nada comigo. Acreditava nele, rezava por ele, mas andava com tanta falta de fé que o via como um euromilhões. Aquela coisa que vai calhando aos outros, que sabemos que existe, mas que nunca experimentámos realmente.
Quando ele apareceu eu estava numa dessas fases más, de mágoa. De coração mais que estilhaçado. Por isso nem sequer reparei nele. A única coisa que me lembro de ter reparado foi mesmo nos olhos. De resto, acho que naquela época nem que me aparecesse o Johnny Depp à frente eu repararia, verdade seja dita. O tempo foi passando e, por termos vários amigos em comum,  víamo-nos com alguma regularidade. Com os meses passei a achá-lo um tipo divertido com uns olhos cor de esmeralda lindos, do outro mundo mesmo. Mas nada além disso. Até que numa dessas tardes de finais de Agosto ele me mandou uma mensagem gira. E começámos a falar com mais frequência. Seguiu-se um convite para irmos ver um espectáculo de stand up comedy. Foi nesse dia, quando depois do espectáculo ficámos num bar a falar até às quatro da manhã (quando ambos tínhamos que acordar cedíssimo no dia a seguir, e praticamente tiveram que nos expulsar) que eu comecei a olhar para ele com outros olhos. E vi que ele era mesmo giro.  Que era um tipo interessante, que me fazia rir, e com o qual eu perdia a noção do tempo de tão boa que tinha sido a conversa. Ainda assim, continuei com os dois pézinhos atrás. Tinha bem presente na memória o sofrimento de que tinha saído há relativamente pouco tempo. E não queria passar por tudo outra vez. Seguiram-se outros encontros e, muito lentamente, fui ganhando confiança. Fui percebendo que nunca deixava de me responder a uma mensagem. Que me ligava só para falar. Que estava lá para mim. Que achava piada às coisas estúpidas que eu dizia. Que se divertia com o meu humor negro e com o meu lado perua consumista. A cada dia que passava eu ia gostando mais dele e de estar com ele. Foi um processo muito lento mas admito que, com a sua paciência de Job, conseguiu conquistar-me. Foi um parto para ele me arrancar um beijo, foi um martírio para eu conseguir perceber que estava ali um homem de verdade, como deve ser. Mas percebi. E, há mais de um ano, que sou muito mais feliz. A cada dia que passa gosto mais dele. Do jeito dele. Das pequenas coisas que o identificam, da maneira como se ri ou mexe no cabelo. O meu coração bate sempre mais forte quando o vejo. É claro que há discussões, desentendimentos, e há sempre uns nano segundos em que, quando estou mesmo muito zangada, penso que se ele fosse à vidinha dele e eu ficasse na minha ficava muito bem. Mas são só mesmo os segundos de raiva. Porque sei que, por mais piroso que isto possa ser, a minha vida é muito melhor com ele. E sou feliz assim, com ele.
De todo o modo, e para quem ainda não encontrou a tal pessoa que se importa, que gosta sem cobranças, que nos permite viver tranquilas numa fortaleza de romance, quero dizer para não perderem a esperança. Se acontece aos outros também nos acontece a nós. Não percam a fé, e acima de tudo não percam tempo com trastes. Nem com gente que não quer saber. Não invejem as outras relações, nem caiam no erro de desejar o mal de quem é feliz. O que fazemos aos outros acaba sempre por voltar para nós. Amem-se, invistam em vocês, nas amigas. A pessoa certa acaba sempre por aparecer. Provavelmente no momento mais incerto.

 

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4 Responses to “Já disse que o amo?”

  1. Anonymous Tuesday 23 October 2012 at 16:22 #

    Muitas vezes está tudo à nossa frente e simplesmente não conseguimos ver. Ficamos a bater na mesma tecla e não saímos desse modo…até um dia 🙂

  2. Ana Filipa Rodrigues Tuesday 23 October 2012 at 22:15 #

    Como eu te percebo… Comigo aconteceu o mesmo! E já lá vão dois anos e tal 🙂

    Parabéns pelo que conseguiste, meu bem!!

  3. S* Wednesday 24 October 2012 at 20:11 #

    Tão bonito… é lindo quando temos alguém que nos completa.

  4. offshore corporation Saturday 3 November 2012 at 16:31 #

    Ele não é só um cara.. Esse sim, esquenta as suas mãos e escuta os seus impropérios e gracinhas com o mesmo apego. Ele não te deixou apodrecendo ali onde você não pudesse incomodar. Ele é diferente de tudo o que é errado em seu mundo e em outros mundos. Você diria que ele salvou sua vida se não soasse tão dramático. Ele não faz planos ou promessas, só surpresas, te ensinou a gostar de surpresas. Ele é diferente. Ele não é só um cara. Ele te ouve como se te entendesse, fala como quem soubesse o que dizer e não diz nada muitas vezes, porque ele entende os silêncios. Ele existe. Você sabe que seriam bons amigos, bons parceiros, bons inimigos, mas você prefere ser a garota dele. E sabe que serão importantes na história um do outro para sempre, independentemente de tudo que estiver pra acontecer. Porque ele não é só um cara. Você não quer mais só um cara. E ele é tudo que você quer hoje.

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