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Domingos perfeitos

3 Mar

Pouco importa se lá fora está nublado. Aqui, por entre livros revistas e séries, o dia desenrola-se numa preguiçosa perfeição com sabor a chocolate. 

Pormenores, pormenores

27 Feb

Uma das coisas que mais me enerva nos homens em geral, e no meu em particular, é a sua incapacidade para reproduzir diálogos ou acontecimentos com os devidos pormenores. Sempre que o meu namorado me diz que encontrou alguém, ou que alguém lhe disse alguma coisa, fá-lo de uma forma sintetizada. Eu bem o questiono, tento arrancar os pormenores, pergunto o que a pessoa disse e como o disse (às vezes o tom com que se diz é tão ou mais importante do que aquilo que foi dito). Mas ele faz sempre aquele ar de quem está num interrogatório da polícia judiciária, e insiste numa versão redutora dos factos. Ao fim de uns minutos já se está a contradizer (segundo ele sente-se pressionado por eu fazer a mesma pergunta de cinquenta maneiras diferentes) e eu fico ali, a revirar os olhos de irritação e com a certeza de uma história incompleta. Depois, por acaso ou já noutra conversa, apanho-o a referir um pormenor sobre, por exemplo, a dita pessoa que encontrou. E nessas alturas, desce em mim um Poirot, e pergunto-lhe ironicamente porque é que ele não me contou aquilo antes. Ele faz ar de quem namora com uma louca. Eu fico possessa por ele não valorizar os detalhes. 

O estado da Igreja

19 Feb
Numa altura em que a resignação do Papa anda nas bocas do mundo, confesso que sou assaltada por uma preocupação própria de quem olha a Igreja com desconfiança. Afinal, um dos nomes apontados como possível sucessor de Bento XVI está envolvido em escândalos de pedofilia. Outro parece ser homofóbico. Não é que queira ser má língua, mas que tipo de pessoas são essas? E antes que me interpretem mal adianto já que acredito em Deus. Apenas tenho dúvidas (muitas) acerca de uma instituição que instaurou a Inquisição e que ainda há pouco tempo se assumia contra o uso do preservativo. Sou católica sim, mas ninguém me convence que o Vaticano mais não é que uma “máfia santa”.  Com gente boa e com gente má, como em qualquer outro sítio. 

18 Feb
Num dia cinzento de nuvens carregadas recebo a notícia que uma das minhas melhores amigas se vai casar, ainda este ano. E de repente o meu coração enche-se de felicidade, o tempo lá fora deixa de importar, e só me apetece enchê-la de abraços. É tão bom quando quem nos importa é feliz. Venham daí os vestidos de noiva, os planos para a maquilhagem e as conversas casamenteiras. 

Bom Carnaval!

12 Feb

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Ainda ontem estávamos no Natal e já cá estamos, no Carnaval. Mais uma vez o tempo, esse malandro, a acelerar-nos o compasso. 
Não sou muito dada à folia que se vive por estes dias. Talvez seja do frio, talvez seja por o carnaval aqui não ser nada de fantástico, não sei. Mas sei que gosto muito de máscaras. Como gosto da ironia do Carnaval de Torres Vedras. E de ver o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. Por isso, o mais provável é ficar mesmo por casa, na companhia do meu amor e da televisão que me vai fazendo chegar o desejo de outros carnavais. À noite o avô vai telefonar e contar, alegre certamente, as peripécias de um dia quente vivido com samba no pé, na minha cidade.
Nos entretantos, quem sabe dê ouvidos à criança que há em mim e ainda desencante um rolo de serpentinas e um saco de confetis, ponha o samba a tocar e finja que tenho outra vez seis anos. Afinal é Carnaval, ninguém leva a mal.
Quanto a vocês, meus amores… Sejam lá quais forem os planos façam o que realmente interessa: divirtam-se!
 

7 Feb
Porque hoje o dia começou com os raios de sol a entrarem janela adentro, chá de maracujá fumegante, e esta música como banda sonora. As árvores lá fora começam agora a florir num anunciado, mas ainda tímido, sinal de primavera. E isso faz-me feliz.

Champs-Élysées

6 Feb
Ontem, enquanto conduzia, começou a tocar na rádio a Les Champs Elysées do Joe Dassin. E assim, sem que nada o fizesse prever e com o sol a beijar-me o corpo, voltei uns quinze anos no tempo. De repente era outra vez a menina de vestido rosa às bolas brancas a fazer desenhos, enquanto a música francesa ecoava pela casa. A minha mãe, parisiense, povoou a minha infância de memórias da terra de Napoleão, música incluída. 
O momento, embora mais fugaz do que o desejado, foi suficiente para me rasgar um sorriso imenso no rosto. E não pude deixar de pensar em como é incrível o poder da música. Em como ela se associa a momentos da nossa vida e fica ali, impregnada, como uma banda sonora que se grava na alma. Capaz de nos deliciar com uma viagem no tempo.