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Ao sabor do chá ou do maracujá

26 Feb

O meu dia começa, invariavelmente, ao sabor de chá. Fumegante no inverno, gelado no verão. Enquanto o beberico pensativa, encostada à janela observando o acordar da cidade, dou por mim a pensar na rotina. Há quem a transforme num monstro e apregoe que nos faz mal. Há quem não saiba viver sem ela. E há aqueles outros, como eu talvez, que a apreciam na medida certa. 

A verdade é que há uma certa segurança na rotina de todos os dias. Naquilo que, de alguma forma, achamos que podemos controlar de tão aparentemente previsível. Bebericar aquele chá, manhã após manhã, dá-me alguma paz. É um ritual de mim para mim onde me dou alguns minutos a devaneios. Acredito, porém, que quebrar a rotina de vez em quando faz bem. É bem possível que, num ou noutro dia, me apanhem com um sumo de maracujá logo pela manhã. Ou até com um cappuccino. O diferente renova-nos, permite-nos saborear a liberdade que tanto apreciamos, absorver novas experiências. E de repente, quem sabe, alguma outra coisa se torna a nossa rotina por gostarmos tanto dela. Porque no fim de contas a rotina é como a vemos. Pode ser boa, pode ser má, ou pode ser algo que queremos substituir. O que importa realmente é que não a deixemos entrar em todos os compartimentos da nossa vida. Afinal, é a nossa vida. Ainda temos uma palavra a dizer, não é? 

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O estado da Igreja

19 Feb
Numa altura em que a resignação do Papa anda nas bocas do mundo, confesso que sou assaltada por uma preocupação própria de quem olha a Igreja com desconfiança. Afinal, um dos nomes apontados como possível sucessor de Bento XVI está envolvido em escândalos de pedofilia. Outro parece ser homofóbico. Não é que queira ser má língua, mas que tipo de pessoas são essas? E antes que me interpretem mal adianto já que acredito em Deus. Apenas tenho dúvidas (muitas) acerca de uma instituição que instaurou a Inquisição e que ainda há pouco tempo se assumia contra o uso do preservativo. Sou católica sim, mas ninguém me convence que o Vaticano mais não é que uma “máfia santa”.  Com gente boa e com gente má, como em qualquer outro sítio. 

Palavra-chave: humildade

5 Nov
Humildade. É apenas mais uma palavra no dicionário, dirão alguns. É muito mais do que isso, penso eu. Ser humilde é uma característica que faz de nós pessoas melhores. Que demonstra a consciência que temos na nossa falibilidade. Afinal, somos seres imperfeitos. Não sabemos tudo, não influenciamos tudo, não temos controlo algum sobre a maior parte das coisas que importam.
É difícil, bem sei, sair da redoma do egocentrismo. Mais difícil do que alguma vez teremos coragem para admitir. Mas, tenho aprendido que ser humilde é um passo gigante no caminho da paz interior. E não há sensação melhor no mundo do que estarmos em paz. Connosco e com o mundo.

Homicida verbal

18 Jan
Quis sabe-se lá quem ou o quê que nós, humanos, fôssemos portadores de defeitos e virtudes. Qualidades ou peculiaridades que nos tornam únicos, verdade seja dita. Ao divagar sobre isto – de chávena de chá pensativa na mão – ponho-me a equacionar a minha própria personalidade. E se por um lado é verdade que sou um doce de miúda, por outro também o é que sou um poço de defeitos. Talvez o mais flagrante seja o facto de ser uma homicida verbal. Assumida, ao menos isso. Quando me chateio com alguém, ou quando me magoam (gosto de pensar que nunca o faço de forma gratuita, mas é possível que já tenha acontecido…sou humana, ora bolas!) torno-me implacável com as palavras. Faço delas bisturi para magoar onde mais dói. E só as calo quando vejo o olhar húmido do outro lado. Não me tomem por maquiavélica, não o sou. Sou apenas uma homicida verbal. Garanto que se houvesse uma prisão para os defeitos encurralaria este sem direito de defesa, e atiraria a chave algures numa imensidão. Assim apenas posso aprender a conviver com ele e a domesticá-lo todos os dias. Não é isso que se deve fazer aos malvados?

My own (un)perfect world #4

5 Jul

16 Jun
São sete da tarde e o sol brilhante ainda vai alto. Chego a casa, bebo o meu chá de framboesa de travo adocicado gelado como se quer, e sento-me numa das cadeiras da varanda de óculos de sol excentricamente fabulosos postos na cara, a observar o mundo do melhor lugar da esfera terrestre: a minha casa. Perco-me em pensamentos, devaneios, rio-me sozinha e ouço a minha própria música titubeando em mundos imaginários, quiçá mais coloridos. Afinal também sou feliz assim. 

Drama-Queen

23 Jun
Às vezes acho que sou uma pessoa esquisita. Ou assim só ligeiramente esquisita. Talvez normal com um toque esquisito.
Não é que seja perturbada ou psicopata, nada disso. Mas sou uma grande drama queen. Quando tinha 15 anos lembro-me de o meu namorado da altura ( que veio a revelar-se um grande desgosto deixando-me amorosamente traumatizada, mas isso ficará para outras núpcias, leia-se para outro post) dizia que eu fazia filmes demais. Que era uma autêntica Spielberg, e que a minha cabeça fervilhava de tanta ideia. E tenho que reconhecer que não é mentira.Parece que tenho que ter sempre alguma coisa em que pensar. A minha vida até pode ser toda tranquilidade e felicidade que eu arranjo logo alguma coisa para me preocupar, quanto mais não seja pensar no amanhã.
Normalmente, tal como aconteceu hoje, tudo começa com um pensamento simples, inofensivo, sobre alguma coisa que aconteceu. E depois começo a pensar porque raio é que aconteceu assim, e se aconteceu assim, se a pessoa reagiu assim é porque se calhar isso não é assim tão bom, e se calhar queria era despachar-me e como não foi capaz foi super fofa, e isso não é bom sinal, e a partir daí é só drama, e mais drama. E depois lá vem a vozinha interior que me grita para eu parar com essas coisas, que não é nada disso, e que isso não tem lógica nenhuma. E de facto, a maior parte das vezes não tem. É que sou uma pessoa perspicaz, até demais. E depois começo a associar tudo e mais alguma coisa, coisas que se vos contasse morriam de rir com tamanha ficção. Eu própria me rio dos meus filmes, de tão absurdos que são por vezes. 
E pronto, hoje lá estava eu a olhar para o livro a tentar estudar, quando começo a pensar no que não devia, e daí até começarem os filmes foi um passo. Mas é que parece tudo real, eu até já visualizo as coisas a acontecerem e tudo. Como naquela publicidade do Mini-Preço em que a tipa só tem que ir comprar legumes mas o pensamento cresce, e cresce, e cresce e acaba com ela a ficar sem amigos.
Todavia e felizmente, tenho uma vozinha interior muito terra-a-terra que grita comigo e me faz cair na real. Isto da vozinha é meramente elucidativo, eu não ouço nada como é óbvio, são só pensamentos muito ao género anjinho de um lado diabinho do outro. Só estou a esclarecer para não me virem com diagnósticos psicológicos de bancada.
E pronto é isto. Da próxima vez que quiserem especular sobre alguma coisa já sabem com quem falar.
E agora vou ali fazer mais um filmezinho, sim? É claro que não, agora vou mas é enfrentar um novo dia. Lindo por sinal.