Tag Archives: Episódios do quotidiano

Domingos perfeitos

3 Mar

Pouco importa se lá fora está nublado. Aqui, por entre livros revistas e séries, o dia desenrola-se numa preguiçosa perfeição com sabor a chocolate. 

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Cindy Crawford @ C&A

1 Mar

Ontem, pela primeira vez, vi na televisão a publicidade à nova colecção da Cindy Crawford para a C&A. Estava já ensonada, com as pálpebras a serem empurradas por essa força da natureza que é o sono, e por instantes pensei estar a delirar. Quer dizer era a Cindy Crawford. Não era uma garota, uma modelo qualquer, mais uma cara laroca dessas que nos entram sala adentro todos as noites. Não. Era a Cindy Crawford, uma das (ex) modelos de que mais gosto. Na televisão, num anúncio da C&A. Aquilo soava-me a inacreditável. Mea culpa, admito. Tenho uma implicância crónica com a C&A. Não digo que nunca lá comprei nada, estaria a mentir se o afirmasse, muito menos que por lá não há coisas giras. Apenas é uma loja que habitualmente passo. Parece-me sempre tudo muito engraçado na montra, mas acabo quase sempre desiludida depois de ver as peças ao perto. Todos temos lojas com as quais não nos identificamos, não é?

Seja como for, qual tira-teimas, liguei o computador e fui ao site da marca. E a verdade é que a notícia não só se confirma, como parece já ter havido uma outra colecção dela. Foi nesta altura que, além de me ter penitenciado mentalmente com uns bofetões jeitosos, me perguntei o quão distraída, ou cega, andaria para não ter dado por nada. Só pude concluir que a minha bela ideia de excluir a loja da minha ronda habitual ao shopping afinal não é assim uma ideia tão boa . Já devia ter aprendido que se pode encontrar uma peça fantástica em qualquer lado. Mesmo em sítios que, à partida, passaríamos.

Enfim, isto tudo para dizer que quanto a vocês não sei. Mas eu cá, impulsionada que estou pela curiosa veia latejante que habita em mim, não passo sem lá ir espreitar e ver tudo com os meus próprios olhos.

Pormenores, pormenores

27 Feb

Uma das coisas que mais me enerva nos homens em geral, e no meu em particular, é a sua incapacidade para reproduzir diálogos ou acontecimentos com os devidos pormenores. Sempre que o meu namorado me diz que encontrou alguém, ou que alguém lhe disse alguma coisa, fá-lo de uma forma sintetizada. Eu bem o questiono, tento arrancar os pormenores, pergunto o que a pessoa disse e como o disse (às vezes o tom com que se diz é tão ou mais importante do que aquilo que foi dito). Mas ele faz sempre aquele ar de quem está num interrogatório da polícia judiciária, e insiste numa versão redutora dos factos. Ao fim de uns minutos já se está a contradizer (segundo ele sente-se pressionado por eu fazer a mesma pergunta de cinquenta maneiras diferentes) e eu fico ali, a revirar os olhos de irritação e com a certeza de uma história incompleta. Depois, por acaso ou já noutra conversa, apanho-o a referir um pormenor sobre, por exemplo, a dita pessoa que encontrou. E nessas alturas, desce em mim um Poirot, e pergunto-lhe ironicamente porque é que ele não me contou aquilo antes. Ele faz ar de quem namora com uma louca. Eu fico possessa por ele não valorizar os detalhes. 

Particulière

26 Feb

???????????????????????????????Ofereceram-me o Particulière da Chanel o ano passado. Estava mais que esgotado em todo o lado e era a cor sensação daquele inverno. Ao início, confesso, estranhei. O tom acastanhado, qual café com leite delicioso, arrancava-me um misto de sentimentos. Se por um lado lhe achava uma certa graça por outro era um tanto mortiço. Certo é que o experimentei. E depois repeti. Sempre que pintava as unhas com ele alguém me perguntava que verniz estava a usar. Nesse dia apercebi-me que gostava mesmo dele. Do seu tom café com leite, tão misterioso quanto apetecível. Não foi amor à primeira vista, mas é amor. Não é isso que importa?

Ao sabor do chá ou do maracujá

26 Feb

O meu dia começa, invariavelmente, ao sabor de chá. Fumegante no inverno, gelado no verão. Enquanto o beberico pensativa, encostada à janela observando o acordar da cidade, dou por mim a pensar na rotina. Há quem a transforme num monstro e apregoe que nos faz mal. Há quem não saiba viver sem ela. E há aqueles outros, como eu talvez, que a apreciam na medida certa. 

A verdade é que há uma certa segurança na rotina de todos os dias. Naquilo que, de alguma forma, achamos que podemos controlar de tão aparentemente previsível. Bebericar aquele chá, manhã após manhã, dá-me alguma paz. É um ritual de mim para mim onde me dou alguns minutos a devaneios. Acredito, porém, que quebrar a rotina de vez em quando faz bem. É bem possível que, num ou noutro dia, me apanhem com um sumo de maracujá logo pela manhã. Ou até com um cappuccino. O diferente renova-nos, permite-nos saborear a liberdade que tanto apreciamos, absorver novas experiências. E de repente, quem sabe, alguma outra coisa se torna a nossa rotina por gostarmos tanto dela. Porque no fim de contas a rotina é como a vemos. Pode ser boa, pode ser má, ou pode ser algo que queremos substituir. O que importa realmente é que não a deixemos entrar em todos os compartimentos da nossa vida. Afinal, é a nossa vida. Ainda temos uma palavra a dizer, não é? 

Hoje acordei…

24 Feb

paris euCom saudades de Paris. E da viagem deliciosa que fiz com uma das melhores amigas à capital francesa em 2011. Enquanto revia as fotografias fui tomada pela nostalgia própria das boas recordações. Apetece-me voltar. Um dia destes será o dia.

I’m singing in the rain

21 Feb

Yellow

Embora tenha acordado com uns tímidos raios de sol a beijarem-me o rosto, não me deixei levar pela falsa promessa de um dia soalheiro. Não que tenha qualidades de adivinha ou saiba ler o andar das nuvens. Nada disso. Mas o diz-que-disse do café de todos os dias ameaçava, em tom de profecia, um final de semana chuvoso. E toda a gente sabe que nos cochichos de café – que vão desde o estado da bola à pouca vergonha para que nos arrasta a Assembleia da República – a única verdade em que se pode confiar é no estado do tempo. Meteorologistas por experiência é o que é. Afinal, se o ministro pode ser licenciado por experiência o povo não pode ser meteorologista por hábito? Voltando ao que importa, uma parte de mim – mais que ansiosa pela primavera – queria deixar-se levar pelo tentador engano proporcionado por aquele sol. Mas o espírito ensonado, arrancado a ferros da cama acolhedora, obrigou-me a ser sensata. Sob pena de cair no ridículo, ainda não se avistava sequer uma gota vinda dos céus àquela hora, optei pelo trench amarelo. O relógio dizia-me, em tom acusador, que já estava atrasada e não havia tempo para maquilhagem. Ora bolas, se ia ter olheiras de panda o dia todo também me apetecia ter o sol à força. E quando ao início da tarde o céu se pintou de negro e as pingas grossas me atingiram o rosto não me importei. Não porque goste de chuva, mas porque no meu mundo o sol brilhava. Pela primeira vez em muito tempo dei por mim a cantarolar o i’m singing in the rain, enquanto caminhava sem pressas debaixo do meu guarda-chuva amoroso.