Três anos passaram desde que pusemos um ponto final na relação. Foi um fim civilizado, sem grandes mágoas ou angústias. Se me perguntarem porque é que acabámos exactamente não sei dizer.Não porque não me lembre, mas porque não houve um real motivo. Achámos que seria o melhor para os dois naquela altura, uma vez que a pressão da distância estava a sugar-nos toda a energia.
Seguimos caminhos diferentes. Ele ficou em Lisboa, eu fiquei aqui. Continuámos os contactos indispensáveis como a mensagem nos anos, o feliz natal, ou as tipícas conversas no msn em versão twitter, leia-se sem grandes delongas.
Durante este tempo todo fizemos o tal luto da relação. Eu arranjei outros namorados, encontrei o que me parece ser o grande amor, fiz amigos, escrevi uma nova página, em suma. Ele também, por lá.
Muitas vezes me lembrei dele e até tive vontade de ligar para saber como iam as coisas. Mas sempre que pegava no telemóvel faltava-me a coragem. Adiava para a vez seguinte, que nunca chegava.
Até que chegou, vinda da parte dele. O telefonema inesperado a dizer que tinha sido pai de uma menina. A mãe é de cá mas já não estavam juntos. E ele, ele queria que eu soubesse que estava a mudar-se. De malas e bagagens para perto de mim (quase, quase meu vizinho).
Precisei de algumas semanas para assimilar e adiei o encontro. Talvez por medo do que iria encontrar, admito.
Hoje lá arranjei coragem. Aceitei o convite para o café. E foi o melhor que poderia ter feito. Encontrei um homem mais maduro, babado pela filha que só ele. Encontrei sobretudo o amigo que tinha deixado lá atrás perdido algures na história da minha vida.
O turbilhão de emoções foi intenso. Uma pessoa olha para um ex e instantâneamente vê o filme do que viveu com ele. As lembranças dos bons e maus momentos trespassam-nos a mente nem que apenas por uma fracção de segundos. Não sei descrever o que senti.
O encontro foi rápido, por motivos profissionais da parte dele. Quando fui embora, aliviada por um lado e culpada por não o ter feito antes, estava acima de tudo em paz.
E quando menos esperava o convite para jantar. Num sitío agradável que só ele,com muitas gargalhadas e sorrisos. Por momentos voltámos a ser o que fomos um dia.
A quimíca mantém-se, é certo. Mas tudo o que nos rodeia é tão diferente, incluindo os sentimentos, que nunca resultaria. Ambos sabemos disso. Mas também sabemos que nos queremos presentes na vida um do outro, com o apoio incondicional de outrora.
O luto acabou, estou certa. E sei que hoje foi o primeiro dia da nova história de uma velha amizade.
Porque no fim ex-namorados podem ser óptimos amigos.
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Não é fácil gostarmos de alguém que não gosta de nós. Ou que até gosta mas não é aquela coisa. E ainda é mais difícil quando um homem gosta mesmo de nós, e nós só gostamos dele assim como amigo ou para umas voltas, porque gostar gostar gostamos é de outro que nos enche as medidas,nos faz estremecer perante a sua presença, e que sim também gosta mesmo de nós.
O amor é aquele bandido que já todos conhecemos. Mas é aquele bandido charmoso e cheiroso, ao qual não conseguimos resistir.



